quarta-feira, 23 de abril de 2008

COMO FORMAR A MELHOR EQUIPA...


Formar a melhor equipa é o processo que se inicia no momento em que o treinador é convidado para o fazer e passando pelas fases de definição de objectivos e de recrutamento, até às decisões na liderança de uma equipa ao longo de uma época desportiva.

O que está em causa é conseguir alcançar, com o grupo de jogadores à nossa disposição, o rendimento desportivo pretendido. No entanto, só será possível se respeitarmos algumas regras fundamentais.

Quem joga são os jogadores. Isso significa que o treinador necessita de melhorar neles as suas competências. Terá de responsabilizá-los na sua preparação e no trabalho que desenvolvem dentro da equipa, e motivá-los constantemente para se superarem.

O rendimento desportivo é a preocupação central de treinadores e jogadores. Lutamos e sacrificamo-nos. Quando o atingimos congratulamo-nos e somos sucedidos e lamentamo-nos quando não o conseguimos fazer. A verdade é que sentimos dificuldades sempre que sistematizamos metodologias que nos podem oferecer a vitória. Às vezes parece que descobrimos “o caminho”, mas logo acontecem percalços que nos transportam para a realidade das derrotas e dos insucessos.

Tudo isto é natural.

A situação desportiva é diversificada e está em constante mutação no decorrer do nosso trabalho. Será possível abranger tudo o que concerne ao rendimento desportivo e sabermos como alcançar o sucesso em X sessões de treino?

Quem joga são os jogadores e, por isso, estabelecem-se regras de orientação na vida colectiva da equipa, nos modelos de jogador e de equipa e nos objectivos a atingir. Gradualmente sobem os níveis de confiança nos jogadores e no treinador.

Quem acredita em vitórias certas desiluda-se. E desconfiem de quem as promete. Não há milagres. Mas há excepções. Acontecem quando os jogadores se motivam e se responsabilizam à volta de objectivos e interesses comuns. Aí sim, o milagre acontece. Acende-se a “luz” e o sucesso e o rendimento desportivo atingem o nível desejado. Só os atletas que o desejem conseguem atingir esse “caminho”.

Se a metodologia seguida pelo treinador não for acompanhada pela vontade de superação dos atletas não haverá progresso. E, muito menos estarão reunidas as condições para a responsabilização, participação e preparação dos atletas. É fundamental entender que a preparação tem que ser desenvolvida a longo prazo através de uma planificação cuidada, o que pressupõe uma imprescindível cooperação entre família, escola, clube, etc.

A abordagem da competição desportiva é feita por excessos. Num extremo, competir é vencer a todo o custo, sem olhar a meios. No outro, a competição é nociva. Não é formativa nem educativa. Nem num nem noutro existe a razão. Ambos confundem a natureza e as vantagens contidas na competição. Sem competição não há progresso nem desenvolvimento. Só a competição nos solicita a superação. Sem oposição e confronto não há competição. Competição? Sim! Cooperação? Claro! O importante é atletas e treinadores competirem superando-se e vencendo. Sem medo de errar e retirando das derrotas os ensinamentos adequados.
No processo de preparação que conduz equipas e jogadores ao rendimento desportivo o treinador desenvolve acção fundamental dando confiança e apoio sempre que os atletas necessitem. Convêm registar que para atingir esse estado não é só a inteligência motora e a capacidade condicional que têm que ser consideradas, mas também a inteligência emocional.

Quando se atinge esse estado, os atletas compreendem e aceitam o sentido e os objectivos de cada treino, e gerem a rotina das constantes repetições sujeitando-se à preparação do treinador e sentem-se competentes e competitivos ultrapassando as contrariedades e obstáculos. Envolvem-se nas tarefas e perseguem os objectivos propostos.

Ao contrário do que muitos pensam, não basta ter talento. Tem de haver um compromisso entre o trabalho a longo prazo e a estabilidade emocional, para permitir suportar um sem número de horas de treino. A vontade de melhorar e de ser competente é uma variável que condiciona o rendimento. Os grandes atletas analisam e controlam melhor as emoções e conseguem enfrentar os momentos difíceis.

O treinador deve atribuir enorme importância ao recrutamento da sua equipa, pois a constituição inicial da sua equipa deve possuir alternativas diversificadas que a época lhe exige. Lesões, quebras de rendimento dos jogadores mais utilizados, a necessidade de provocar nos jogadores mais “acomodados” pressão retirando-lhes confiança e sentando-os no “banco de suplentes”, etc. constituem exemplos da necessidade do treinador atribuir grande importância ao recrutamento.

A atitude do atleta face ao treino e à competição é também factor a considerar na escolha de jogadores. Os mais fortes psicologicamente, mesmo nas suas quebras de rendimento ao longo da época, são sempre úteis à equipa e aos interesses colectivos. Os que não apresentam estes requisitos, “aparecem e desaparecem” no decorrer da época com a agravante de quase sempre “desaparecerem” quando a equipa mais precisa deles!

Gerir o sucesso é a maior dificuldade para treinadores e jogadores. Na derrota funcionam todos os “alarmes”. Na vitória temos de estar atentos. Perdendo ou ganhando são os treinadores e jogadores que devem manter a capacidade de reacção aos estímulos e á ambição necessária para ir mais longe. Superação, superação sempre como palavra de ordem.

É importante tomar decisões em determinadas circunstâncias da vida das equipas. É preciso mudar algo para que o estímulo funcione e a reacção tenha efeito. Tem o treinador de ser firme e esclarecido mediante a situação da equipa. Deve o treinador estar atento e antecipar decisões face ao futuro para que possa debelar as “doenças” antes delas surgirem.

O treinador nunca deve esquecer a permanente observação selectiva na reacção individual e colectiva dos jogadores que estão sob a sua responsabilidade. Essa informação é imprescindível para melhorar as competências diariamente.

Adaptação:
“Como formar A MELHOR EQUIPA”; Autor: Prof.Jorge Miguez Araújo;

terça-feira, 8 de abril de 2008

A (DE) FORMAÇÃO...

Este é o terceiro ano que estou ligado a formação e preocupa-me muito os treinadores que não sabem trabalhar correctamente os atletas mais jovens, quer desde o desenvolvimento de treinos desadequados para a idade, que prejudicam a evolução do atleta a nível técnico, táctico e físico, mas principalmente do ponto de vista mental e psicológico, podendo deixar sequelas para toda a vida.

Por isso, hoje vou falar um pouco sobre o que defendo e de como se deve trabalhar, na minha opinião, os atletas mais pequenos (Escolas e Infantis), ou seja, a iniciação.

Eu acho que nestas idades, o trabalho deve incidir sobre a coordenação motora e principalmente sobre a capacidade técnica (controlo da bola, passe e recepção), pois só é possível haver "jogo" se os atletas conseguirem PASSAR e RECEBER a bola.Assim sendo, creio que o melhor é fazer muitos jogos lúdicos SEMPRE COM BOLA, sem grandes condicionalismos tácticos, de preferência jogos reduzidos, pois assim também evoluem a velocidade de reacção e execução, no entanto, é conveniente terem já uma pequena noção táctica, e parece-me que o sistema 3.1 é o mais conveniente para a iniciação, pois é fácil e trabalha-se todas posições existentes em futsal (Fixo, Ala e Pivot).

A coordenação motora é importantíssima nesta fase, porque como os miúdos estão em fase de crescimento são extremamente descoordenados e tem imensas dificuldades em se movimentarem, dominar ou passar a bola.

Mas acima de tudo, o treinador terá que ser muito criativo e inventar exercícios que motivem os miúdos para captar sua atenção, e para isso é necessário que tenha a bola sempre presente em TODOS os exercícios, e há medida que os atletas forem atingindo um determinado nível, deverá colocar novos objectivos e exercícios mais complexos, de acordo com o modelo de jogo que pretende incutir, de forma a que eles continuem a evoluir e não estagnem, no entanto, só deverá passar para a etapa seguinte, quando tiver a certeza que eles já a atingiram a proposta, caso contrário estará a "queimar" etapas e assim eles terão "deficiências" que depois dificilmente conseguirão erradicar.

Tendo por exemplo 2 treinos semanais de 1 hora (que é o que a maioria dos clubes têm) eu faria da seguinte forma:

1º treino:

10 mts - Activação geral (jogos lúdicos, Ex: Jogo da apanha, etc, etc)
25 mts – Jogos Reduzidos (potenciar passe, recepção, drible, desmarcações, decisão, etc)- Exercícios de coordenação motora (15 em 15 dias).
20 mts – Organização táctica (movimentação e organização ofensiva e defensiva) e finalização (começando com um exercício básico para iniciação da percepção táctica e zonas de finalização de 3.1, que se deve posteriormente explorar de forma a ir evoluindo para as movimentações básicas…).
5 mts – Recuperação activa (alongamentos, corrida muito lenta (2 voltas), etc).

2º treino:

10 mts - Activação geral.
45 mts - Jogo.
5 mts – Recuperação activa.
Quanto ao treino "físico", não se preocupem com isso, pois os miúdos nestas idades correm o dia todo na escola, na rua, etc e estão sempre activos, além de que se for trabalhado de forma errada, os atletas poderão ficar com os músculos atrofiados para toda a vida…

Pensem nisto e opinem...