quarta-feira, 27 de agosto de 2008

TREINO DE GUARDA-REDES:TOMADAS DE DECISÕES...

Nível 1: Aperfeiçoamento da técnica individual

Intensidade: Baixa
Parte do Treino: Aquecimento e Parte Principal
Exercício: Deslocamentos laterais entre os postes com posicionamento de defesa baixa em 3 pontos ( nos postes e na zona central)
Observações: Corrigir sempre os maus posicionamentos corporais.

Nível 2: Velocidade de Execução

Intensidade: Media Alta
Parte do Treino: Parte Principal
Exercício: GR de posição alta num dos postes de costas para o treinador, ao apito faz defesa baixa no poste contrario.
Observações: Reagir a um Estimulo ( apito...deixar cair a bola no solo...etc)

Nível 3: Tomada de Decisão

Intensidade: Media Alta
Parte do Treino: Parte Principal
Exercício: 3 Jogadores dentro do circulo central (meio campo), 3 cones espalhados no meio campo defensivo, um dos 3 jogadores tem a função de se deslocar a um dos cones e os outros para zonas diferentes. Após uma defesa do Gr os jogadores deslocam-se para as zonas acima referidas enquanto o Gr vai buscar uma bola na linha final e faz reposição de bola numa das duas opções, sendo certo que o jogador que está no cone fica neutro.

Observações: Reagir a vários estímulos e sendo alguns deles desconhecidos para o GR.
Para treinar as tomadas de decisões também podemos criar exercícios de finalização com obstáculos altos, dificultando a visão do GR.

Outro bom exercício é colocar bolas no meio na área e finalizar contra as bolas, defendendo todas as que se dirigirem para a baliza (o GR tem varias opções de defesa).

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A AGRESSIVIDADE...


"…deve ser uma consequência do próprio processo competitivo.Com isto queremos dizer que a prática do nosso desporto implica o ser agressivo, e nós como treinadores devemos fomentar essa agressividade nos nossos jogadores, mas sempre tentando orientá-la exclusivamente para as acções que as regras do jogo nos permitam. A partir do momento em que existe um confronto entre duas equipas fica claro que ambas querem ganhar, caso contrário não se enfrentavam.
Esta necessidade de ganhar ao adversário é a base sobre a qual assenta todo o desporto de competição, e também o nosso. Os problemas costumam aparecer quando esta agressividade que devemos utilizar para vencer o adversário não está canalizada dentro das margens legais do desporto em questão. É óbvio que existem desportos em que se pode agarrar o adversário, empurrá-lo ou inclusivamente golpeá-lo, mas isto não se pode fazer no futsal e o jogador deve tê-lo perfeitamente claro. Portanto as nossas acções dentro do campo serão dirigidas em função da bola (para recuperá-la ou tentar metê-la dentro da baliza do adversário), evitando acções de agressão a adversários, colegas, árbitros ou público.

…no nosso desporto é uma atitude que o jogador deve adoptar para competir. É fazer entender ao adversário somente com a nossa presença que não vai conseguir superar-nos, é intimidá-lo agonisticamente, é provocar a insegurança nas suas acções, é obrigá-lo a actuar de uma forma a que não esteja habituado e que o faça errar, é chamar a sua atenção constantemente para que não possa ajudar os seus companheiros, etc.
A cultura desportiva fala-nos da nobre actuação ao praticar o nosso desporto; isso está muito bem, mas não nos podemos comportar assim somente quando ganhamos. O difícil no desporto é saber perder e aceitar que o facto de competir pode também conduzir-nos à derrota. Deve competir-se para ganhar, mas sabendo que se pode perder. O jogador tem que assumir isto ou não será capaz de ser um competidor leal, uma vez que quando estiver a perder recorrerá, como se vê em tantas ocasiões, à agressão física ou verbal, a culpar o árbitro dos próprios erros ou inclusivamente aos próprios colegas de equipa. Um facto pelo qual muitos dos jogadores não progridem é porque não são capazes de aceitar que se enganam, e o não assumir dos próprios erros leva a pensar que na verdade não se falha, pelo que se costuma deitar a culpa de uma falha própria num erro de um companheiro, numa acção ilegal do adversário ou a num grave equivoco do árbitro. O treinador que favorece este tipo de actuação está a fazer um fraco favor aos seus jogadores, pois para melhorar é imprescindível querer fazê-lo, e se alguém pensa que já faz tudo bem é difícil que possa reconhecer que alguma vez se engana.…
bem canalizada faz com que o jogador tente vencer dentro dos limites regulamentares, e que se não o consegue felicite o adversário e depois nos pergunte em que deve melhorar para o conseguir vencer na próxima ocasião. Se da nossa posição de treinadores lhes dizemos que a derrota apareceu porque o árbitro não assinalou três penaltis que sofremos, e que quando foi ultrapassado sendo o último defensor tinha que ter partido uma perna ao atacante, estaremos a afastá-lo da realidade em primeiro lugar; não seremos capazes de o fazer melhorar como jogador e como pessoa em segundo, e por último estaremos a demonstrar a nós próprios a nossa incapacidade como treinadores. Se pelo contrário lhe dizemos que fez mal ao ficar a protestar com o árbitro esses possíveis penaltis e que por isso sofremos dois golos e que deve melhorar a defesa do um contra um, uma vez que somente com uma finta o atacante o conseguiu ultrapassar; e na semana seguinte o ajudamos a trabalhar esse aspecto estaremos a contribuir para que melhore tecnicamente e a fazer-lhe entender que as decisões do árbitro não são problema seu, já que não pode fazer nada para as evitar ou modificar, mas sim é, o estar no campo e não fazer o que deve para ajudar os demais companheiros.
Muitos treinadores têm o costume de fazer crer aos seus jogadores que são os melhores com a finalidade de entrarem no campo sem medo do adversário e “carregados mentalmente”. Nós cremos que isso é um erro, uma vez que ao acreditarem na obrigação de ganhar por serem os melhores não serão capazes de assumir uma derrota se esta se verificar (e possivelmente chegam a utilizar a agressividade num sentido erróneo), e em caso de vitória, terão simplesmente cumprido com o que deveriam fazer. Se como treinadores temos esta filosofia (especialmente nas categorias de formação), estaremos a contribuir antes do tempo para a criação de jogadores para os quais não serve outra coisa que não seja a vitória, uma vez que a derrota deve ser uma consequência do que aconteceu no jogo, e se a outra equipa demonstrou ser superior quer dizer que a nossa deve melhorar no próximo confronto, porque caso contrário irá perder novamente.
O facto de sermos treinadores dá-nos um poder muito grande na hora de motivar os nossos jogadores para que se concentrem nos aspectos “importantes” do jogo, que não são mais do que a posse e situação da bola e a movimentação e colocação dos colegas e dos adversários. Se formos capazes de lhes fazer entender que todas as suas energias devem orientar-se neste sentido e não no dos protestos com o árbitro, ou na agressão ao adversário ou na discussão com o colega, estaremos a canalizar a sua agressividade para aquilo que na verdade é importante."
Javier Lorente Peñas e Jesus Velasco Tejada

segunda-feira, 19 de maio de 2008

COMPETIÇÃO vs COOPERAÇÃO...


A Cooperação é uma relação de entreajuda entre os atletas, no entanto, por norma o treinador também pretende (e incute) a Competição entre os atletas, o que é contra sensual, visto que a cooperação, de certa forma, se opõe à competição…
Assim sendo, fica a pergunta: Como é possível trabalhar a competição e a cooperação entre atletas da mesma equipa?

É fácil…

O desejo de um atleta em competir com os outros da mesma equipa é no sentido de obter um estatuto mais elevado dentro do grupo, ou seja, demonstrar a sua importância na equipa, quer a nível comportamental, quer na execução correcta do modelo de jogo estabelecido, para que o treinador o considere um exemplo e uma das suas principais opções da EQUIPA.
Assim sendo, o treinador terá que utilizar esta competição diária entre os atletas, como o principal catalisador da acção cooperativa, demonstrando que a mesma tem apenas um objectivo comum, a organização colectiva, porque só e apenas com a cooperação entre todos se conseguirá ter sucesso ao competir com outras equipas.

Por isso, o treinador tem que vincar, diariamente, a importância da entreajuda e da cooperação entre os seu atletas, pois por muito bem que um atleta cumpra, atinja os níveis pretendidos e até seja o melhor em tudo, se não ajudar os outros a atingirem o mesmo patamar e enveredar por uma atitude egoísta e individualista, JAMAIS atingirá o sucesso, pois NUNCA ninguém venceu jogos sozinho…

Resumindo, o treinador deve, por isso, fomentar e incutir diariamente aquilo a que se chama de “competição cooperativa”, demonstrando que o sentido principal é alcançar objectivos comuns, e que só apenas um terá que sair sempre a ganhar…a EQUIPA!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A ESTRUTURA DA SESSÃO DE TREINO...





A sessão de treino tem uma duração muito variável e deve conter três partes distintas:


a) Parte preparatória ou aquecimento;


b) Parte principal ou fundamental;


c) Parte final ou de retorno à calma.


b) Parte preparatória ou aquecimento:


É a parte inicial e indispensável de todas as sessões de treino e de todas as competições em que o atleta vai intervir. É constituído por um conjunto de exercícios que têm por objectivo preparar o atleta para os esforços maiores que a seguir irão realizar-se e evitar o risco de lesões.


Recomendações Práticas:


O aquecimento deve ser progressivo: deve iniciar-se com uma intensidade fraca que aumentará gradualmente à medida que as diferentes estruturas do organismo se adaptem ao esforço. Evita-se, assim, o perigo de uma lesão ou de uma grande fadiga inicial.
Exemplo: só depois de correr lentamente e durante alguns minutos é que poderão realizar-se sprints;
O aquecimento deve ser prolongado: nunca deverá ser inferior a 15/20 minutos, pelas razões supra indicadas;
O aquecimento deve conter duas partes distintas mas complementares: o aquecimento geral e aquecimento específico.
Aquecimento geral:
é a fase inicial e pode conter, por exemplo, uma parte de corrida lenta e contínua, para a activação orgânica e alguns exercícios de alongamentos estáticos para prevenir o aparecimento de lesões.
Aquecimento específico:
segue-se ao aquecimento geral e visa preparar o atleta para as situações concretas que vai encontrar a seguir.
Exemplo: se vai treinar velocidade deve fazer várias acelerações com intensidades crescentes; se vai treinar força, deve mobilizar os músculos que a seguir irá solicitar mais intensamente.
Aquecimento para o jogo:

Deve obedecer a todos os princípios metodológicos indicados anteriormente, o que significa que, de início, deverá correr e realizar exercícios de alongamentos, após o que deverá exercitar as diferentes situações que o jogo contém.
Recomendações Práticas:

Deve iniciar-se cerca de 40 minutos antes do início da competição;
Deverá estar terminado 10 minutos antes do início desta;
Nesta fase, o praticante deverá concentrar-se e procurar manter o seu aquecimento, realizando alguns alongamentos;

Nunca deverá ser demasiado intenso, o que poderia retirar a capacidade de resposta, sobretudo no início do jogo.
Este princípio é tanto mais válido quanto maior for a preparação física dos atletas;
Quando estes, após uma longa viagem, se sentem muito fatigados e não têm grande vontade de correr, necessitam de fazer um aquecimento mais forte que o habitual. Devem vencer essas inercias no aquecimento e nunca transportá-las para o jogo.
«Um bom aquecimento é uma condição indispensável para que os atletas possam começar bem a competição e um mau começo pode comprometer irremediavelmente o seu desempenho.
b) Parte principal ou fundamental:
Tem esta designação por ser nesta parte que se concretizam os objectivos previstos para a sessão de treino. Estes devem ser correctamente escolhidos e colocados adequadamente na estrutura organizativa da parte fundamental da sessão de treino. As outras duas partes (aquecimento e retorno à calma) são condicionadas e determinadas pelo conteúdo desta.
Recomendações práticas:
- O aperfeiçoamento da técnica, da velocidade de deslocamento ou da velocidade de reacção deverão ser trabalhadas logo a seguir ao aquecimento, isto é, sem fadiga;
- O treino da força pode ser realizado logo a seguir;
- O treino da resistência, ao contrário da prática tradicional, deverá ser preferencialmente realizado no fim da sessão;
- As anteriores indicações metodológicas pressupõem uma visão sectorial de cada capacidade motora, contudo, no jogo, todas estão integradas, pelo que a sua rentabilização exige que por vezes as técnicas e a velocidade sejam também solicitadas em situações de fadiga, tal como sucede na competição;
- Se pretendermos melhorar as resistências específicas, a duração desta fase deverá ser superior à do jogo ou, caso seja menor, deverá ter uma intensidade superior e um menor número de pausas;
- Se pretendermos melhorar a velocidade, a duração desta fase poderá ser inferior à da competição, mas com uma intensidade superior e um aumento de duração das pausas.
c) Parte Final ou de Retorno à Calma:
Durante um jogo ou uma sessão de treino há uma grande activação de diferentes funções orgânicas e, por vezes, surge um estado de fadiga mais ou menos acentuado. Uma passagem súbita para uma situação de repouso não é conveniente e poderá comprometer o processo de recuperação. Se o aquecimento prepara gradual e progressivamente os atletas para o esforço que a seguir vão desenvolver, esta fase procura que o organismo transite gradualmente para a situação de repouso.Todos os que já praticaram qualquer actividade física já viveram, certamente, a situação em que a seguir a um esforço e depois de tomar banho, continuam a transpirar, o que significa que o organismo ainda não retornou à calma.
Recomendações práticas:
Se existir uma grande situação de fadiga, deverá começar por umas corridas lentas e terminar com a realização de exercícios de alongamentos estáticos para os grupos musculares mais solicitados, que, no caso dos futebolistas, são os membros inferiores. Estes exercícios só deverão terminar quando os atletas de sentirem recuperados;

Se existir uma fadiga localizada, devida, por exemplo, à realização de exercícios de musculação, há que descontrair essa zona, realizando alongamentos.

O tempo de recuperação depende de uma adequada ingestão de líquidos durante e após o esforço, assim como da posterior alimentação.

Devem ser realizados exercícios de fraca e regressiva intensidade.
As características desta parte da sessão de treino são determinadas pela especificidade do trabalho realizado na parte fundamental.
Prof:José Alberto Rosa

quarta-feira, 23 de abril de 2008

COMO FORMAR A MELHOR EQUIPA...


Formar a melhor equipa é o processo que se inicia no momento em que o treinador é convidado para o fazer e passando pelas fases de definição de objectivos e de recrutamento, até às decisões na liderança de uma equipa ao longo de uma época desportiva.

O que está em causa é conseguir alcançar, com o grupo de jogadores à nossa disposição, o rendimento desportivo pretendido. No entanto, só será possível se respeitarmos algumas regras fundamentais.

Quem joga são os jogadores. Isso significa que o treinador necessita de melhorar neles as suas competências. Terá de responsabilizá-los na sua preparação e no trabalho que desenvolvem dentro da equipa, e motivá-los constantemente para se superarem.

O rendimento desportivo é a preocupação central de treinadores e jogadores. Lutamos e sacrificamo-nos. Quando o atingimos congratulamo-nos e somos sucedidos e lamentamo-nos quando não o conseguimos fazer. A verdade é que sentimos dificuldades sempre que sistematizamos metodologias que nos podem oferecer a vitória. Às vezes parece que descobrimos “o caminho”, mas logo acontecem percalços que nos transportam para a realidade das derrotas e dos insucessos.

Tudo isto é natural.

A situação desportiva é diversificada e está em constante mutação no decorrer do nosso trabalho. Será possível abranger tudo o que concerne ao rendimento desportivo e sabermos como alcançar o sucesso em X sessões de treino?

Quem joga são os jogadores e, por isso, estabelecem-se regras de orientação na vida colectiva da equipa, nos modelos de jogador e de equipa e nos objectivos a atingir. Gradualmente sobem os níveis de confiança nos jogadores e no treinador.

Quem acredita em vitórias certas desiluda-se. E desconfiem de quem as promete. Não há milagres. Mas há excepções. Acontecem quando os jogadores se motivam e se responsabilizam à volta de objectivos e interesses comuns. Aí sim, o milagre acontece. Acende-se a “luz” e o sucesso e o rendimento desportivo atingem o nível desejado. Só os atletas que o desejem conseguem atingir esse “caminho”.

Se a metodologia seguida pelo treinador não for acompanhada pela vontade de superação dos atletas não haverá progresso. E, muito menos estarão reunidas as condições para a responsabilização, participação e preparação dos atletas. É fundamental entender que a preparação tem que ser desenvolvida a longo prazo através de uma planificação cuidada, o que pressupõe uma imprescindível cooperação entre família, escola, clube, etc.

A abordagem da competição desportiva é feita por excessos. Num extremo, competir é vencer a todo o custo, sem olhar a meios. No outro, a competição é nociva. Não é formativa nem educativa. Nem num nem noutro existe a razão. Ambos confundem a natureza e as vantagens contidas na competição. Sem competição não há progresso nem desenvolvimento. Só a competição nos solicita a superação. Sem oposição e confronto não há competição. Competição? Sim! Cooperação? Claro! O importante é atletas e treinadores competirem superando-se e vencendo. Sem medo de errar e retirando das derrotas os ensinamentos adequados.
No processo de preparação que conduz equipas e jogadores ao rendimento desportivo o treinador desenvolve acção fundamental dando confiança e apoio sempre que os atletas necessitem. Convêm registar que para atingir esse estado não é só a inteligência motora e a capacidade condicional que têm que ser consideradas, mas também a inteligência emocional.

Quando se atinge esse estado, os atletas compreendem e aceitam o sentido e os objectivos de cada treino, e gerem a rotina das constantes repetições sujeitando-se à preparação do treinador e sentem-se competentes e competitivos ultrapassando as contrariedades e obstáculos. Envolvem-se nas tarefas e perseguem os objectivos propostos.

Ao contrário do que muitos pensam, não basta ter talento. Tem de haver um compromisso entre o trabalho a longo prazo e a estabilidade emocional, para permitir suportar um sem número de horas de treino. A vontade de melhorar e de ser competente é uma variável que condiciona o rendimento. Os grandes atletas analisam e controlam melhor as emoções e conseguem enfrentar os momentos difíceis.

O treinador deve atribuir enorme importância ao recrutamento da sua equipa, pois a constituição inicial da sua equipa deve possuir alternativas diversificadas que a época lhe exige. Lesões, quebras de rendimento dos jogadores mais utilizados, a necessidade de provocar nos jogadores mais “acomodados” pressão retirando-lhes confiança e sentando-os no “banco de suplentes”, etc. constituem exemplos da necessidade do treinador atribuir grande importância ao recrutamento.

A atitude do atleta face ao treino e à competição é também factor a considerar na escolha de jogadores. Os mais fortes psicologicamente, mesmo nas suas quebras de rendimento ao longo da época, são sempre úteis à equipa e aos interesses colectivos. Os que não apresentam estes requisitos, “aparecem e desaparecem” no decorrer da época com a agravante de quase sempre “desaparecerem” quando a equipa mais precisa deles!

Gerir o sucesso é a maior dificuldade para treinadores e jogadores. Na derrota funcionam todos os “alarmes”. Na vitória temos de estar atentos. Perdendo ou ganhando são os treinadores e jogadores que devem manter a capacidade de reacção aos estímulos e á ambição necessária para ir mais longe. Superação, superação sempre como palavra de ordem.

É importante tomar decisões em determinadas circunstâncias da vida das equipas. É preciso mudar algo para que o estímulo funcione e a reacção tenha efeito. Tem o treinador de ser firme e esclarecido mediante a situação da equipa. Deve o treinador estar atento e antecipar decisões face ao futuro para que possa debelar as “doenças” antes delas surgirem.

O treinador nunca deve esquecer a permanente observação selectiva na reacção individual e colectiva dos jogadores que estão sob a sua responsabilidade. Essa informação é imprescindível para melhorar as competências diariamente.

Adaptação:
“Como formar A MELHOR EQUIPA”; Autor: Prof.Jorge Miguez Araújo;

terça-feira, 8 de abril de 2008

A (DE) FORMAÇÃO...

Este é o terceiro ano que estou ligado a formação e preocupa-me muito os treinadores que não sabem trabalhar correctamente os atletas mais jovens, quer desde o desenvolvimento de treinos desadequados para a idade, que prejudicam a evolução do atleta a nível técnico, táctico e físico, mas principalmente do ponto de vista mental e psicológico, podendo deixar sequelas para toda a vida.

Por isso, hoje vou falar um pouco sobre o que defendo e de como se deve trabalhar, na minha opinião, os atletas mais pequenos (Escolas e Infantis), ou seja, a iniciação.

Eu acho que nestas idades, o trabalho deve incidir sobre a coordenação motora e principalmente sobre a capacidade técnica (controlo da bola, passe e recepção), pois só é possível haver "jogo" se os atletas conseguirem PASSAR e RECEBER a bola.Assim sendo, creio que o melhor é fazer muitos jogos lúdicos SEMPRE COM BOLA, sem grandes condicionalismos tácticos, de preferência jogos reduzidos, pois assim também evoluem a velocidade de reacção e execução, no entanto, é conveniente terem já uma pequena noção táctica, e parece-me que o sistema 3.1 é o mais conveniente para a iniciação, pois é fácil e trabalha-se todas posições existentes em futsal (Fixo, Ala e Pivot).

A coordenação motora é importantíssima nesta fase, porque como os miúdos estão em fase de crescimento são extremamente descoordenados e tem imensas dificuldades em se movimentarem, dominar ou passar a bola.

Mas acima de tudo, o treinador terá que ser muito criativo e inventar exercícios que motivem os miúdos para captar sua atenção, e para isso é necessário que tenha a bola sempre presente em TODOS os exercícios, e há medida que os atletas forem atingindo um determinado nível, deverá colocar novos objectivos e exercícios mais complexos, de acordo com o modelo de jogo que pretende incutir, de forma a que eles continuem a evoluir e não estagnem, no entanto, só deverá passar para a etapa seguinte, quando tiver a certeza que eles já a atingiram a proposta, caso contrário estará a "queimar" etapas e assim eles terão "deficiências" que depois dificilmente conseguirão erradicar.

Tendo por exemplo 2 treinos semanais de 1 hora (que é o que a maioria dos clubes têm) eu faria da seguinte forma:

1º treino:

10 mts - Activação geral (jogos lúdicos, Ex: Jogo da apanha, etc, etc)
25 mts – Jogos Reduzidos (potenciar passe, recepção, drible, desmarcações, decisão, etc)- Exercícios de coordenação motora (15 em 15 dias).
20 mts – Organização táctica (movimentação e organização ofensiva e defensiva) e finalização (começando com um exercício básico para iniciação da percepção táctica e zonas de finalização de 3.1, que se deve posteriormente explorar de forma a ir evoluindo para as movimentações básicas…).
5 mts – Recuperação activa (alongamentos, corrida muito lenta (2 voltas), etc).

2º treino:

10 mts - Activação geral.
45 mts - Jogo.
5 mts – Recuperação activa.
Quanto ao treino "físico", não se preocupem com isso, pois os miúdos nestas idades correm o dia todo na escola, na rua, etc e estão sempre activos, além de que se for trabalhado de forma errada, os atletas poderão ficar com os músculos atrofiados para toda a vida…

Pensem nisto e opinem...