
Formar a melhor equipa é o processo que se inicia no momento em que o treinador é convidado para o fazer e passando pelas fases de definição de objectivos e de recrutamento, até às decisões na liderança de uma equipa ao longo de uma época desportiva.
O que está em causa é conseguir alcançar, com o grupo de jogadores à nossa disposição, o rendimento desportivo pretendido. No entanto, só será possível se respeitarmos algumas regras fundamentais.
Quem joga são os jogadores. Isso significa que o treinador necessita de melhorar neles as suas competências. Terá de responsabilizá-los na sua preparação e no trabalho que desenvolvem dentro da equipa, e motivá-los constantemente para se superarem.
O rendimento desportivo é a preocupação central de treinadores e jogadores. Lutamos e sacrificamo-nos. Quando o atingimos congratulamo-nos e somos sucedidos e lamentamo-nos quando não o conseguimos fazer. A verdade é que sentimos dificuldades sempre que sistematizamos metodologias que nos podem oferecer a vitória. Às vezes parece que descobrimos “o caminho”, mas logo acontecem percalços que nos transportam para a realidade das derrotas e dos insucessos.
Tudo isto é natural.
A situação desportiva é diversificada e está em constante mutação no decorrer do nosso trabalho. Será possível abranger tudo o que concerne ao rendimento desportivo e sabermos como alcançar o sucesso em X sessões de treino?
Quem joga são os jogadores e, por isso, estabelecem-se regras de orientação na vida colectiva da equipa, nos modelos de jogador e de equipa e nos objectivos a atingir. Gradualmente sobem os níveis de confiança nos jogadores e no treinador.
Quem acredita em vitórias certas desiluda-se. E desconfiem de quem as promete. Não há milagres. Mas há excepções. Acontecem quando os jogadores se motivam e se responsabilizam à volta de objectivos e interesses comuns. Aí sim, o milagre acontece. Acende-se a “luz” e o sucesso e o rendimento desportivo atingem o nível desejado. Só os atletas que o desejem conseguem atingir esse “caminho”.
Se a metodologia seguida pelo treinador não for acompanhada pela vontade de superação dos atletas não haverá progresso. E, muito menos estarão reunidas as condições para a responsabilização, participação e preparação dos atletas. É fundamental entender que a preparação tem que ser desenvolvida a longo prazo através de uma planificação cuidada, o que pressupõe uma imprescindível cooperação entre família, escola, clube, etc.
A abordagem da competição desportiva é feita por excessos. Num extremo, competir é vencer a todo o custo, sem olhar a meios. No outro, a competição é nociva. Não é formativa nem educativa. Nem num nem noutro existe a razão. Ambos confundem a natureza e as vantagens contidas na competição. Sem competição não há progresso nem desenvolvimento. Só a competição nos solicita a superação. Sem oposição e confronto não há competição. Competição? Sim! Cooperação? Claro! O importante é atletas e treinadores competirem superando-se e vencendo. Sem medo de errar e retirando das derrotas os ensinamentos adequados.
No processo de preparação que conduz equipas e jogadores ao rendimento desportivo o treinador desenvolve acção fundamental dando confiança e apoio sempre que os atletas necessitem. Convêm registar que para atingir esse estado não é só a inteligência motora e a capacidade condicional que têm que ser consideradas, mas também a inteligência emocional.
Quando se atinge esse estado, os atletas compreendem e aceitam o sentido e os objectivos de cada treino, e gerem a rotina das constantes repetições sujeitando-se à preparação do treinador e sentem-se competentes e competitivos ultrapassando as contrariedades e obstáculos. Envolvem-se nas tarefas e perseguem os objectivos propostos.
Ao contrário do que muitos pensam, não basta ter talento. Tem de haver um compromisso entre o trabalho a longo prazo e a estabilidade emocional, para permitir suportar um sem número de horas de treino. A vontade de melhorar e de ser competente é uma variável que condiciona o rendimento. Os grandes atletas analisam e controlam melhor as emoções e conseguem enfrentar os momentos difíceis.
O treinador deve atribuir enorme importância ao recrutamento da sua equipa, pois a constituição inicial da sua equipa deve possuir alternativas diversificadas que a época lhe exige. Lesões, quebras de rendimento dos jogadores mais utilizados, a necessidade de provocar nos jogadores mais “acomodados” pressão retirando-lhes confiança e sentando-os no “banco de suplentes”, etc. constituem exemplos da necessidade do treinador atribuir grande importância ao recrutamento.
A atitude do atleta face ao treino e à competição é também factor a considerar na escolha de jogadores. Os mais fortes psicologicamente, mesmo nas suas quebras de rendimento ao longo da época, são sempre úteis à equipa e aos interesses colectivos. Os que não apresentam estes requisitos, “aparecem e desaparecem” no decorrer da época com a agravante de quase sempre “desaparecerem” quando a equipa mais precisa deles!
Gerir o sucesso é a maior dificuldade para treinadores e jogadores. Na derrota funcionam todos os “alarmes”. Na vitória temos de estar atentos. Perdendo ou ganhando são os treinadores e jogadores que devem manter a capacidade de reacção aos estímulos e á ambição necessária para ir mais longe. Superação, superação sempre como palavra de ordem.
É importante tomar decisões em determinadas circunstâncias da vida das equipas. É preciso mudar algo para que o estímulo funcione e a reacção tenha efeito. Tem o treinador de ser firme e esclarecido mediante a situação da equipa. Deve o treinador estar atento e antecipar decisões face ao futuro para que possa debelar as “doenças” antes delas surgirem.
O treinador nunca deve esquecer a permanente observação selectiva na reacção individual e colectiva dos jogadores que estão sob a sua responsabilidade. Essa informação é imprescindível para melhorar as competências diariamente.
Adaptação:
“Como formar A MELHOR EQUIPA”; Autor: Prof.Jorge Miguez Araújo;
Nenhum comentário:
Postar um comentário